sábado, 30 de agosto de 2014

Ultrassom Terapêutico no Reparo de Fraturas



O conceito experimental de piezoeletricidade (qualidade de alguns cristais gerarem tensão elétrica por resposta a uma pressão mecânica) do osso proposto em 1957 por Fukada e Yasuda no final da década de 50 e importância das cargas mecânicas sobre o metabolismo ósseo proposto pelo fisiologista alemão Julius Wolff, em 1892, motivaram, na década de 1970 o trabalho do Prof. Dr. Luiz Romariz Duarte sobre o uso do ultrassom de baixa intensidade na aceleração do processo de reparo de fraturas. Na contramão desse notável avanço, apenas em 2001 o uso do ultrassom de baixa intensidade para o tratamento de fraturas foi aprovado no Brasil pelo Ministério da Saúde através ANVISA (resolução nº 1554 do D.O.U. de 27/09/01).
            O ultrassom vem sendo utilizado na área da saúde em basicamente três aplicações; o diagnóstico por imagem (baixas intensidades, de 0,001W/cm² a 0,05W/cm²), cortes cirúrgicos (altas intensidades, 5 a 100W/cm²) e as convencionais aplicações fisioterapêuticas nos tecidos moles (intensidades relativamente altas, de (0,5 a 3W/cm²). Essas aplicações fisioterapêuticas convencionais produzem algum efeito senão por um aumento considerável na temperatura do tecido exposto. Por outro lado, a técnica de ultrassom pulsado de baixa intensidade (USPBI) utiliza uma intensidade inserida no intervalo de procedimentos seguros  de diagnóstico. Assim, produz seus efeitos predominantemente através de forças micromecânicas no sítio da fratura através de ondas de pressão acústica. Experimentos in vitro descrevem aumento na  incorporação do cálcio em culturas de células ósseas, aumento da atividade osteoblástica e angiogênica. Além disso, foi observado que o USPBI estimula a síntese de genes (tais como o Aggrecam, por exemplo) relacionados à produção de proteínas que participam da diferenciação celular e a mineralização.
 

(Fragmento de artigo de minha autoria).

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